Situado entre o Rato e o Príncipe Real, e pertencente ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC), está o jardim botânico de Lisboa. Com, aproximadamente, 1500 espécies originárias dos ‘quatro cantos do mundo’ (cit. da pág do MUHNAC), a função do jardim é a de servir de complemento ao ensino e investigação da botânica na Universidade de Lisboa.
Entre as construções típicas da cidade, (os prédios, comércios, o alcatrão, as ruas e carros), — o jardim botânico destaca-se por representar um outo lugar; um ‘além’ distante e idílico e fonte de interesse científico.
Foi essa constatação que me levou a querer analisar o que está na fronteira entre o jardim e o resto da cidade. Percorri as ruas que o contornam, tirando fotografias e anotações sobre os negócios, arquiteturas e elementos efémeros de interesse sociológico que encontrava, criando uma cartografia humana, tanto real como simbólica, temporal e não-científica. Foi assim que surgiu esta recolha de imagens e de pensamentos sobre a periferia de um jardim, fruto do homem da cidade.
O livro divide-se em três capitulos ou ‘livros’: O Jardim, A Cidade e o Domus. São três realidades simbólicas que definem o Homem moderno. O jardim enquanto Eden perdido e inalcançável, a cidade como resultado da sede insaciável de criação e construção, e o Domus, a casa, como refúgio.
